terça-feira, 9 de outubro de 2007

ontem tive as boas vindas de são paulo, chegando no tiete ao pagar meu bilhete do metro, uma mulher veio ao meu lado, notando que eu estava guardando as moedas do troco, veio pedir 90 centavos para ajudar dizendo ela sua passagem, eu tive medo e nem respondi, a ignorei. como em todas as cidades grandes o medo e a individualidade da sobrevivência nos atinge cada vez mais, o medo e as incertezas nos deixam secos perante as pessoas.

sábado, 6 de outubro de 2007

talvez o tempo nos destrua, ou nossas lembranças de dores, amarguras de desejos não realizados e fracassos. talvez seremos vultos com lembranças tristes, velhos com almas retorcidas e lembranças perdidas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

os olhares se batem de frente, e um agradecimento "deus te ajude", mais uma historia dentro de um ónibus. um homem com seu filho, ambos bem vistos, parecendo uma família feliz sem problemas, mas o homem distribui uma foto do seu filho grampeada junto com um pequeno papel que conta que seu filho passa por tratamento e ele pedia ajuda nos ónibus para o tratamento dele, ele usa o silencio e uma foto....
vejo pais que usamos filhos para pedir dinheiro a toda hora, mas esse do ónibus me deixo confuso, o olha dele era humano, e a forma dele tratar o filho era de carinho, muitos desses pedintes com filhos em frangalhos, com suas infâncias roubadas andam sujos, subnutridos, em meio a nós malditos escravos. mas não posso julga-lo, somente mais um ser humano com um drama...
e levantamos todos os dias com nossas cruzes

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

correia

passar uma hora vomitando palavras que te sufocam em madrugadas que parecem não ter fim, tanto que a angustia toma conta da sua noite. mas temos que ser felizes a moda artificial em meio a ideias de auto-ajuda e remédios que no fundo só evitam o choro, o pior que fiquei tomando remédios por 1 ano, sentia leveza artificial e não conseguia chorar, meus sentidos estavam entorpecidos. não tem como questionar o peso de nossas vidas simplistas, só o viver, buscar algo além, mas eu não queria virar um zumbi. no entanto com o passar dos anos você começa a refletir, ver sonhos desaparecendo, ver mudanças ao redor, sim é a correria moderna , que esta assolando toda a humanidade.

domingo, 9 de setembro de 2007

"... agarravam qualquer estimulo ou brilho que pudessem encontrar..."
"Com um pouco de sorte, a gente se depara na hora certa com uma música que não é somente "grandiosa" ou "interessante", ou "incrível", ou divertida, mas realmente substancionsa. Por um processo evasivo mas tangível, certas musicas barram todas as nossas defesas e dão sentido a todos os medos e desejos que evocamos nelas. Dessa maneira, elas expõem tudo o que escondíamos no intimo e dão um sentido a isso. Apesar de ser uma outra pessoa que fala, a experiência é como uma confissão. Nossas emoções disparam a loucos extremos: nos sentimos ao mesmo tempo enobrecidos e desvalorizados, redimidos e condenados. Escutamos que é disso que se trata a vida, que é para isso que ela serve. Porém é esse mesmo reconhecimento que nos faz entender que a vida jamais pode ser tão boa, tão inteira. Como uma clareza que a vida nos nega por suas próprias e boas razões, vemos lugares aos quais nunca poderemos chegar."
Marucs, Greil- A ultima transmissão pg22-23: artigo sobre um show de bruce springsten em 1978

pés+carrefour

o céu ainda tinha o tom rosa do inicio da noite, depois de um dia seco e com sol forte. em um ponto de ónibus da periferia de curitiba o estava esperando , depois de compras no carrefour. engraçado isso o consumo globalizado, bem que poderia se ter não os conflitos sociais violentos da periferia de Paris e sim as politicas de saúde, e educação, e não só uma rede supermercadista. podemos consumir o que os ricos consomem mas não temos saúde publica e nem uma sistema educacional digno. Na chegada do ónibus, que vem de um bairro pobre, notei o numero de pessoas negras, humildes em seu interior, pessoas passeando, ou sobrevivendo como o casal com seus filhos, notei os pequeninos pés deles em meio a sujeira, algo que para qualquer criança é importante, mas naquela situação não significava tanto alegria infantil boa, e sim crianças que brincavam na sujeira de um bairro pobre, que catavam latinhas e lixo, as sobras do consumismo, das cervejas que usam mulheres gostosas para divulgação. ali estava o outro lado, talvez ate eu os cruze de novo, pelas ruas de curitiba, pois a noite na volta da faculdade vejo no ónibus os mesmo que usam seus filhos para pedir esmolas, engraxates, sub-empregados.
sou como eles um sobrevivente...